Friday, December 14, 2007

AutoResposta

No início desse ano, eu tinha apenas uma certeza: de que buscaria dentro de mim as respostas para todas as questões que me artomentavam e me tiravam o sono. Foi por isso que resolvi criar esse blog. Queria escrever sobre os meus pensamentos, sobre as minhas angústias e desesperos. Queria deixar registrada toda a minha evolução no meu processo para assim, quem sabe, as angústias dessem lugar a sentimentos mais nobres, como sonhos e reflexões positivas sobre a vida. Falo aqui do início de 2007. Bem, já estamos quase no fim de dezembro e o único post que eu publiquei, sequer escrevi esse ano (foi um texto, de uns anos atrás, sobre o tempo, que gosto muito). Nesse período, por onde andei? Será que fui bem sucedido no meu "processo"? Consegui achar as minhas autorespostas?

Posso dizer com segurança que, se o processo começou, de fato, no início do ano, agora que eu vejo claramente os resultados. Aconteceu algo muito importante: dei um grande passo em virar uma página da história da minha vida que insistia em se repetir e que já tendia para uma enciclopédias em vários volumes sobre o mesmo assunto. Estou falando sobre as mazelas de um coração desgastado por um amor repetitivo que me tirou toda a lembrança de alguém que há muito tempo eu não era mais. É como se, no relacionamento, o estranho não fosse o outro, que você julgava conhecer, de quem você criou uma pintura apaixonada e descobriu que não passava de um grande esboço, e sim você é o próprio estranho de si mesmo. Como é isso? Simples: você passa tanto tempo ao lado de alguém que, quando se afasta, perde ou não está mais próximo, se esquece de que algum dia na sua vida, você não precisou daquele alguém para viver. Não é negar que é sempre bom ter alguém para compartilhar os ótimos momentos da vida. É dizer para si mesmo: "Lembra de mim? Sou seu eu. Estava com saudades! Quanto tempo não saímos juntos para passear na praia e tomar uma coca-cola!" Essa sensação é um tapa na cara. É sentir-se como uma ferida exposta. Mas é tudo uma questão de voltar a se conhecer. E é aqui que começam as autorespostas!

Sobre as perguntas do início, procurarei respondê-las nesse blog que, agora sim, já pode se orgulhar da primeira postagem do ano(que se finda, mas sem nenhum desmerecimento por causa disso).

Tuesday, January 02, 2007

O tempo não pára

Vou confessar uma coisa. Ontem, ontem mesmo, eu ficava pensando: quando o ano 2000 chegar já terei dezessete anos, serei quase um adulto(quando se é criança, as pessoas de dezessete anos se parecem muito com os adultos) e provavelmente estarei na faculdade. Lembro que, naquela época, o ano 2000 era uma pintura muito, muito difícil de pintar, daquelas que nem se formam direito na cabeça, quanto mais no papel. Eu ficava pensando que na minha vida adulta seria uma pessoa totalmente diferente e que isso, inevitavelmente, acabaria acontecendo uma hora. E, quer saber: hoje estou com vinte e um anos e o último aniversário que fiz foi de dezesseis. Isso mesmo, dezesseis anos. Até a aparência continua a mesma, só com uns pêlos a mais na cara.

É claro que tenho mais opiniões próprias, mais experiências vividas, mais audácia, mais cicatrizes, estou sim na faculdade. É claro que hoje as pessoas me olham e me tratam não mais como criança. A grande diferença, contudo, é que desde os dezesseis me dei conta da existência do tempo. Os anos passam, os meses voam e os dias quase não vejo.

Sabe quando a gente viaja para algum lugar e acaba sendo tudo tão legal que parece que a viagem de uma semana durou apenas um dia, e que nesse último dia a gente se pega falando "mas já acabou"? É isso o que mais me preocupa: de chegar no final de tudo, no final dessa minha infinitésima existência e suspirar "mas já acabou".

O cara que dizia que "o tempo não pára" estava mais do que certo. Talvez a grande sacanagem do tempo é que ele consegue passar sem ser notado. E é só quando a gente pára e se dá conta é que a gente percebe que ele sempre esteve ao nosso lado e o quanto ele modificou da nossa vida.

Só espero que quando chegar lá no finalzinho(pois ainda não sou um ser absoluto), não seja um velho amargurado e arrependido que esteja agradecido pela chegada dos créditos finais. Espero sim, que o mesmo jovem de dezesseis anos, com a mesma sede de eternidade, chegue lá sem fazer mais nenhum aniversário e que ele nunca esteje preparado para um ponto final.